Ditadura no Brasil – saiba o que foi esse sistema de governo

A Ditadura no Brasil foi um dos períodos mais difíceis para o povo brasileiro, saiba mais sobre esse período no post abaixo.

Ditadura no Brasil.

Saiba mais sobre a Ditadura no Brasil

O Brasil passou por vários regimes de ditadura, entre eles a Era Vargas, considerado por muitos como a primeira ditadura brasileira, embora alguns historiadores aleguem que a primeira ditadura ocorreu somente com o Golpe Militar de 1964.

Era Getúlio Vargas

Getúlio Vargas, através de outro golpe militar, conseguiu assumir a presidência do Brasil e passou 15 anos consecutivos no poder, seu "reinado" durou entre 1930 E 1945. Nesse período ele fechou o congresso nacional e estabeleceu a ditadura, alegando que a prática era para evitar que os comunistas invadissem o país. Durante seu Governo, o Brasil teve alguns avanços, como uma reformulação na Constituição Federal, a legitimidade do Voto Feminino, mas também passou por períodos difíceis, como a Revolução Constitucionalista de 1932, considerada por muito como a principal Guerra Civil Brasileira do séc. XX. Além disso, o Brasil também participou da 2ª Guerra Mundial, como aliado dos EUA e Inglaterra. Apesar de ter saído do poder em 1945, Getúlio volta em 1951, permanecendo até 1954, quando foi encontrado morto, sendo a provável causa da morte o suicídio.

O golpe militar de 1964

O país passou por uma grave crise política depois da renúncia de Jânio Quadros em 1961. Então, quem assumiu a presidência foi João Goulart, seu vice-presidente, seu governo foi marcado pela abertura às organizações sociais, que abriu espaço para estudantes e organização de trabalhadores. Isso gerou grande preocupação nas classes conservadoras e mais poderosas. Que se organizaram e deram um golpe militar em 1964. E no dia 9 de abril os militares tomam o poder.

Ditadura no Brasil.

Governo Castelo Branco

O General Humberto de Alencar Castelo Branco foi "eleito" pelo Congresso Nacional e ficou no poder de 1964 até 1967. Sua posse foi no dia 15 de abril de 1964, e ele declarou que defenderia a democracia, mas apesar disso, seu governo foi extremamente autoritário. Além de dissolver os partidos políticos, ele também estabeleceu eleições indiretas para presidente. Parlamentares foram cassados, os cidadãos tiveram seus direitos políticos cancelados e os sindicatos tiveram intervenções do governo militar, sendo que muitos deles foram fechados, e muitos de seus líderes e membros foram presos ou desapareceram.

A principal característica de seu governo foi a instituição do bipartidarismo, isto é, somente dois partidos estavam autorizados a existir, a Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Do primeiro, faziam parte os membros da oposição, que eram extremamente controlados, e do segundo faziam parte os militares. Outra característica de seu governo foi a Constituição de 1967, que acabou por institucionalizar o regime militar, transformando em leis quaisquer uma de suas formas de atuação.

Governo Costa e Silva

Ditadura no Brasil.

Em 1967, o general Arthur da Costa e Silva assume a presidência do país, ficando no poder até 1969, lembrando que ele foi eleito pelo congresso, e não pela população brasileira. A principal característica dessa fase da ditadura no Brasil é o crescimento de pessoas que são contra o regime militar, assim sendo, a quantidade de protestos aumenta, e o regime militar passa a atuar mais fortemente para conter os "rebeldes".

Também começam a surgir focos de greve em grandes fábricas brasileiras, nesse período, apesar de jamais ter sido abordada dessa maneira pelo governo, começa a ocorrer uma espécie de guerra civil, já que os opositores ao regime militar se organizaram e chegaram a assaltar bancos para comprar armas para o movimento. Os confrontos entre os militares e os opositores eram frequentes, e por essa razão, no dia dia 13 de dezembro de 1968, foi decretado o Ato Institucional Número 5, chamado também de AI-5, que aumentou a repressão, deu mais poderes aos militares e policiais, cassou mandatos, aposentou juízes, e passou a negar qualquer tipo de habeas-corpus.

O Governo passou a sequestrar membros de organizações opositoras para interrogatórios, que envolviam tortura, e até mesmo a morte. Milhares de pessoas desapareceram, e estima-se que ainda existam pelo menos 40 mil corpos enterrados em locais que os militares jamais disseram onde ficam.

Governo da Junta Militar

Costa e Silva adoeceu, e para substituí-lo no poder uma Junta Militar foi eleita que governou do dia 31 de agosto de 1969 até o dia 30 de outubro de 1969. A junta era formada por Aurélio de Lira Tavares, do Exército; Augusto Rademaker, da Marinha e Márcio de Sousa e Melo, da Aeronáutica. Esse período foi marcado pelo sequestro do embaixador americano pelos rebeldes, que exigiam a soltura de 15 presos políticos, a manobra teve êxito, mas causou a instauração da Lei de Segurança Nacional, que passou a valer no dia 18 de setembro, e garantia o exílio, e também a pena de morte, nos casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".

Governo Médici

Outro general foi eleito, mas desta vez pela Junta Militar. O General Emílio Garrastazu Médici ficou no poder de 1969 ate 1974, época conhecida como "anos de chumbo", graças ao aumento ainda maior da repressão e ao combate desenfreado a qualquer pessoa ou organização que se colocasse contra o

Ditadura no Brasil.governo militar. Além disso, foi o período mais severo da censura, e também quando o exílio era mais frequente.

Centenas de professores, artistas e políticos foram exilados, alguns foram até mesmo torturados e assassinados. Nessa época é instituído o DOI-Codi - destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna - que atuava como centro de investigações e repressão. A guerrilha ganha força, principalmente no Araguaia.

Crescimento Econômico

Apesar do regime ser extremamente autoritarista, entre 1969 a 1973 houve um grande crescimento econômico, o PIB do Brasil crescia a uma taxa de 12% e a inflação girava em torno dos 18%. Com grandes investimentos internos, a geração de empregos foi enorme, e o país passou por uma fase marcada por grandes investimentos na infra-estrutura. Mas parte do dinheiro investido derivou de empréstimos no exterior, que aumentou a dívida externa do Brasil, que mais tarde levou a um colapso na economia.

Governo Geisel

Ditadura no Brasil.De 1974 a 1979, o general Ernesto Geisel assumiu a presidência, e deu início a um novo rumo ao país, como um tipo de transição à democracia. Uma das característica de seu governo foi a resseção da economia, que já começava a definhar, devido aos enormes empréstimos realizados pelo governo anterior. A queda do emprego e o alto custo de vida levou a população a se posicionar contra o governo, e a crise do petróleo, que levou a uma recessão mundial, agravou ainda mais a situação.

Geisel então abre espaço para oposição, e graças a isso, nas eleições de 1974, o MDB consegue eleger aproximadamente 59% do Senado, 48% da Câmara dos Deputados, e também acaba ganhando as eleições municipais na grande maioria das cidades.

Com esse novo rumo, os militares descontentes passam a atacar membros da esquerda, políticos, artistas, professores e jornalistas, sendo um marco dessa época o assassinado do jornalista Vladimir Herzog, que ocorreu em 1974, perto de uma das unidades do DOI-Codi em São Paulo, pouco tempo depois, em janeiro de 1976, Manuel Fiel Filho, um operário sindicalista também é encontrado morto, em uma situação muito parecida ao do jornalista. Outro marco do governo Geisel é o fim do AI-5, que abre caminho para a instauração da Democracia, institui novamente o habeas-corpus, e dá mais poder de fala aos opositores no senado e na câmara.

Governo Figueiredo

O  general João Baptista Figueiredo governou entre 1979 e 1985. Seu governo é considerado por muitos como o ponta pé inicial a

Ditadura no Brasil.

volta da democracia. Uma de suas leis foi a Lei da Anistia, que permitiu o regresso de exilados políticos ao país.

Apesar disso, os militares que são contra esse tipo de ação, continuam atuando clandestinamente, sequestrando, torturando e matando todos sobre os quais haviam suspeitas de conduta subversiva. Essa época foi marcada pelo grande número de cartas-bomba enviadas a imprensa e a OAB. O ato mais bárbaro desse período foi uma bomba, que explodiu no dia 30 de Abril de 1981, apesar de nunca terem provado nada, até hoje as suspeitas caem sobre os militares.Outro grande marco foi que em 1979, Figueiredo aprovou e restabeleceu o pluripartidarismo, ou seja, o Brasil volta a ter vários partidos políticos. A ARENA, partido do governo, passa a se chamar PDS, e o MDB se torna o PMDB. Naquela época é fundado o PT - Partido dos Trabalhadores; e também outro importante partido o PDT - Partido Democrático Trabalhista.

Fim da Ditadura

O Brasil passava por uma dura crise, com a inflação nas alturas e queda na taxa de empregos. Devido ao novo poder dado aos novos partidos, e a volta das pessoas em organizações e sindicatos, a oposição ao governo ganha espaço e é fortalecida. Em 1984, houve uma grande manifestação a favor das "Diretas Já", ou seja, pedindo que o povo brasileiro pudesse eleger seu presidente.

Políticos oposicionistas, jogadores de futebol, músicos, atores, cantores, imprensa e milhões de brasileiros participaram do movimento "Diretas Já", pedindo que a Emenda Dante de Oliveira, que garantia o direito do povo ao escolher seu chefe de estado fosse aprovada. Porém, tal emenda não foi aprovada.

Ditadura no Brasil.

Sarney e Tancredo Neves

Então a Eleição presidencial brasileira de 1985 ocorreu, e o Colégio Eleitoral escolheu o deputado Tancredo Neves, como candidato, e este concorreu com Paulo Maluf, para ser eleito presidente da República. Tancredo fazia parte da Aliança Democrática, que foi formado pelo PMDB e Frente Liberal, opositores ao governo. A Eleição de 1985 foi a última eleição indireta do país.

O marco do fim do regime militar foi a eleição de Tancredo Neves, que não chegou a assumir a presidência, pois morreu, sendo até hoje sua morte centro de várias teorias conspiratórias.

Quem acabou assumindo a cadeira foi seu vice, José Sarney. O marco de seu governo foi a aprovação da Constituição de 1988, que reinstituiu a Democracia no país. A partir de então o povo passou a eleger seus governantes.

Publicado por Laura
Revisado em 08/09/2017

Compartilhar

Comentar com Facebook

Receba novidades

Comentar